Páginas

10/08/2018

Uma situação interessante

 Hoje me vi extremamente preocupado com uma situação que, de forma alguma, minhas ações poderiam alterar para favorável. Veja bem, nem tudo está sujeito as nossas necessidades e vontades, na verdade, poucas coisas ao nosso redor estão sujeitas a essas duas "forças".

 Basicamente, necessitando urgente de um documento, que estava vindo de Santos pelos correios, me envolvi num sentimento cruel de dúvida no amanhã.

 Todo meu otimismo deu lugar a falta de fé ilimitada com pitadas de ansiedade.

 Existia uma data limite para o lendário documento ainda ter utilidade.

 Não vou mentir, procurei outras alternativas que sem sucesso, tornaram os correios minha última esperança.

 Eram 4 dias, onde dois deles eram final de semana, com eleições, o que poderia dar errado?

 Esse texto, de forma já conhecida pelos leitores mais antigos, narra os momentos finais  dessa situação interessante, sua conclusão e de brinde ainda te levará a uma reflexão, claramente óbvia, sobre espaço-tempo.



(sim eu sei que falar sobre qualquer coisa que não tenha envolvimento com política soa errado, mas vem errar comigo, vai ser divertido.)

 Era o último dia do prazo, tinha que ser hoje, todas as minhas tentativas e falhas me levaram aquele ponto, era a hora da verdade.

 Já acordei no rumo do telefone, precisava me informar, se meu pacote tinha chegado em minha cidade ou coisa assim, quem atendeu foi um homem, simpático até demais pelo horário.

 Expliquei minha situação e já fui sabiamente indicado para o número correto.

 Impressionante como nunca acertamos de primeira esse tipo de ligação.

 Quando fui atendido pela segunda vez me senti mais tranquilo, a mulher que falava comigo aparentava, em suas poucas e polidas frases, querer de fato me ajudar, ou ao menos, terminar com essa ligação matutina o mais rápido possível.

 Informei minha situação novamente,  a resposta foi devastadora:


"Moço, seu pacote não está aqui, talvez ele chegue amanhã"


 Após agradecer a atendente e desligar o telefone, uma única palavra parecia preencher todo o meu ser.

 Fodeu. 

Me acalmei depois de um breve momento de tristeza profunda e decidi tentar, novamente,  minha missão. 

 Sim,  já falhara anteriormente, além de que, fazer o mesmo e esperar mudanças é falhar com mais propriedade, porém eu tinha que tentar, era isso ou ficar em casa murmurando.

 Resolvi sair de casa com um plano pouco pensado, sem as ferramentas necessárias para executar o maldito plano, mas com um sorriso idiota na cara, quem precisa de planejamento com um sorriso desses? 

 Sai da papelaria, abri o baú da Biz para perceber imediatamente que não daria certo guardar uma bolsa aonde já estava um capacete, estava próximo de casa ainda, resolvi voltar para abandonar o capacete em segurança, a chuva que caia só me deixava mais melancólico e borocoxô.

 Voltando para casa uma silhueta brilhou no horizonte, usava amarelo, seu veículo era amarelo também, o capacete que lhe escondia o rosto, adivinha? Amarelo.

 Fiquei meio desconfiado, seria possível meu pacote estar nas mãos daquele nobre homem? "Claro que não" dizia meu pessimismo.

 Porém, no fundo de minha mente, outra coisa falou, baixinho:

"Para de ser assim e verifica essa parada, você já estava indo pra casa mesmo"

Estacionei, abri o portão e guardei o capacete, isso em segundos, quando sai novamente o carteiro já estava próximo de casa, minha preocupação deixou de lado a mínima educação que minha mãe me deu:

- Tem alguma coisa para o Marcel?

 Com toda a paz que me faltava naquele momento, ele olhou para mim, depois para seu amontoado de cartas, daí para mim novamente, com o olhar mais sereno que vi nos últimos anos e disse:

- Tem sim meu jovem, só assinar aqui ó.

 Assinei completamente desacreditado do que acabara de acontecer, verifiquei o remetente e era mesmo o esperando, temi acordar e dar fim aquele sublime momento de vitória.  

 O lendário, o escolhido pela necessidade, o documento estava em minhas mãos.

 Aquele homem de amarelo deve ter notado minha euforia e me questionou:

 - Você parece feliz que isso chegou jovem, ainda bem que você estava em casa né?

Sequer consegui responder direito, me limitei apenas a agradecer e desejar um ótimo dia a ele, aquele momento foi único, tirar esse peso das costas foi delicioso, quase como aquele pedaço de pizza inseparado na geladeira ao fim do rolê.

 Consegui executar o plano, voltei pra casa até mais leve depois.

 Gosto de pensar, que de forma estrutural, somos reféns de algumas consequências além de nós como indivíduos, por exemplo, levando em consideração que não tinha ninguém em casa e que, muito provavelmente, eu iria desistir de passar em casa, caso não fosse o capacete na "hora certa e no lugar errado", quem estaria lá para receber o carteiro? Pois é, ninguém.

Fico lisonjeado com você que leu até aqui, lhe desejo uma ótima semana e nunca permita que essas "consequências além de nós como indivíduos" predominarem em situações importantes em sua vida.

Ass: M.O.P.

Ps: Fiquei devendo a reflexão sobre espaço tempo, caso esteja desejoso(a) por reflexões desse gênero sugiro o Google para um início de pesquisa, beijos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário